Histórias de Terapeutas – Shaggy

Posted by Gerenciador, With 2 Comments, Category: Cães Terapeutas, Histórias de Terapeutas, Voluntariado,
Por Fátima S.*
O Shaggy foi encontrado por uma amiga, deitadinho no portão de uma vila do Campo Belo. Ela chegou meio que chorando, dizendo que tinha um cachorrinho que estava morrendo e se eu não poderia ficar com ele por uns dias, até ela convencer a mãe dela a adotá-lo. Deitadinho
Fomos ao resgate e foi um custo para que ele confiasse em nós. Não queria água nem biscoito. Tinha um "arzinho" de quem já tinha desistido da vida e só queria ser deixado em paz, muito triste de ver. Aliás, uma vizinha contou que tinha passado por ele e chorou. Uma moça de branco que dizia ser nossa vizinha e estudante de veterinária nos ajudou. Ela ficou muito tempo conversando com ele, até que ele consentiu em nos acompanhar. Nunca mais vimos a tal moça.
Bicho Chegoso 2008 Já em casa, ajeitamos uma casinha e um edredonzinho na garagem e lá ele ficou, separado dos meus dois outros boxers, que circulam dentro de casa. Apesar de adulto e de já ter o tamanho de um schnautzer, ele tinha menos que 5 quilos. E cheirava horrivelmente mal. Logo depois do primeiro banho e da visita ao veterinário, no dia seguinte, ele já ficou engraçadinho. E, surpresa das surpresas, era saudável. Não tinha nada, só tristeza.
Uma semana depois, saí para passear com Fred, meu boxer, e adivinha quem estava na esquina conosco? Shaggy, que o tempo todo conseguia passar pelos vãos do portão, de tão magro que era. Foi um susto enorme. Shaggy também tinha alguns traumas: tinha medo de homem, principalmente homem de voz grossa; sapato de homem, lanterna, vela acesa, fogos de artifício e trovão.
Tentei encontrar um possível dono pela internet e seu anúncio circulou com o título de "Peludão do Campo Belo". O nome veio de um amigo americano. Shaggy significa "cabeleira, cabeludo, descabelado" e achamos que combinava. Ele também achou. Nunca achei o suposto dono e minha amiga não conseguiu convencer a mãe a ficar com ele. Sorte minha. Tratei de cadastrá-lo na prefeitura e contratei um treinador para aulas de adestramento. Poucas aulas. Ele já sabia tudo. É amigo e protetor até o ponto de preferir deixar a própria comida para me acompanhar até o portão. Vigia quem entra na casa, fica de olho no eletricista, não dá mole para o encanador e late para o motoboy entregador de pizza. Sempre alerta e vigilante. Frequentemente me perguntam qual é o nome da raça dele, uma "raça exótica sem dúvida". RESD ao invés de SRD.
hairstyle

Shaggy, de visual novo.

De menino de rua, Shaggy hoje tem casa, comida gostosa, muito carinho humano e canino e se transformou nesse cachorrinho feliz, estiloso e fashion, que muda o visual conforme a estação do ano....e trabalha. No INATAA. Quando coloca o uniforme (a bandana e a coleira nova), ele já fica todo animado; ele gosta muito de trabalhar. O começo foi meio tímido, ele entrou para suprir uma eventual falta da Margot, minha boxer, que é muito sensível, mas logo se revelou um ótimo cão terapeuta. É forte, paciente, obediente, amável com todos e busca sempre agradar. Um cãozinho como poucos. E orgulhoso de ser um cão.
Shaggynho na ong

Vida nova, e trabalho novo. Shaggy agora é um cão terapeuta.

Shaggy durante a sessão de socialização do INATAA

Shaggy durante a sessão de socialização do INATAA

Bem...ele continua com medo de fogos e de trovão, mas eu suspeito que parte disso seja charme para ganhar um carinho extra...


*Fátima é voluntária do INATAA desde 2007. Visita com seus dois cães, Shaggy e Margot, o asilo "A Mão Branca" e a enfermaria do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia

Clique aqui para saber mais sobre os voluntários do INATAA

2 Comments
  1. Date: setembro 2, 2010
    Author: INATAA

    Hi Lexi, Thanks a lot for your comment! And feel free to add this to your blog too! Cheers Laís Aranha www.inataa.org.br

  2. Date: novembro 13, 2010
    Author: Andrew Dennie

    I enjoy your webblog!

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