Animais em Hospitais – parte 1

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Terapia Assistida por Animais em Hospitais

Por Laís Milani, Psicóloga membro da diretoria de Terapia Assistida por Animais do INATAA

Esta semana a Terapia Assistida por Animais (TAA) está em foco! Isso porque o Hospital Albert Einstein liberou a visita de animais domésticos à seus pacientes.

Milla, uma experiente cadela terapeuta

Milla, uma experiente cadela terapeuta

A matéria publicada ontem pela Folha de São Paulo relata esta experiência, o preparo prévio da equipe, as condições e requisitos para a visita do animal.
Esta matéria contribuirá muito para o crescimento da TAA no Brasil, isto porque um grande obstáculo que encontramos é a falta de informação. Muitas pessoas se apegam na crença de que bichos são sujos, transmitem doenças, e podem causar danos físicos às pessoas, e isto acaba sendo um impedimento para a entrada destes em hospitais. É importante ressaltar que um pré-requisito essencial para qualquer trabalho de TAA é um rígido controle da saúde e comportamento do animal que será utilizado.
A matéria publicada pode ter sido vista por muitos com espanto, mas para nós do INATAA, ver cães em hospitais faz parte de nossa rotina, e que rotina deliciosa!! Vou compartilhar um pouco dessa experiência com vocês:
“O que esses cachorros estão fazendo no hospital?”
“É campanha de vacinação?”
“Eles estão pra doação?”
“Pode entrar cachorro aqui? Vou trazer o meu!!”
“Eles vão brincar com as crianças, né?”
“Pode tirar foto?”
“Pode passar a mão?”
“Eles mordem?”
Essas são algumas das frases que ouvimos todas as vezes quando estamos com cães dentro de  hospitais, e sempre respondemos e explicamos tudo com o maior prazer, pois temos muito orgulho do nosso trabalho. Muitas vezes as pessoas perguntam e se aproximam com receio, achando um absurdo colocarem cães em hospitais, mas depois que entendem o que estamos fazendo ali, saem contando pra todo mundo que conheceram um cão-terapeuta, e voltam pra nos ver sempre que tem oportunidade! Esse reconhecimento não é só gratificante pra quem está realizando o trabalho, mas também é importante para que as pessoas se tornem mais receptivas ao benefício do contato com os animais.
Quem tem um bicho em casa sabe como é relaxante acariciá-lo, a alegria que nos dá ser recebido com festa e a distração proporcionada pela a brincadeira com um cão. Todas essas sensações e sentimentos proporcionados pelos cães, além da companhia, do amor e da aceitação incondicional, proporcionam um enorme bem estar psicológico ao ser humano. Por causa disso, esta interação colabora com a diminuição da pressão arterial, do batimento cardíaco, aumento e diminuição diversos neurotransmissores, resumindo, faz bem psicologicamente e fisiologicamente. Esses benefícios se dão para qualquer pessoa, mesmo que ela não esteja doente, ou institucionalizada!

Trabalho semanal na enfermaria pediátrica do Inst Dante Pazzanese de Cardiologia

Trabalho semanal do INATAA na enfermaria pediátrica do Inst Dante Pazzanese de Cardiologia

Quando pensamos em hospitais, pensamos em ambientes estéreis, o mais limpo possível, onde tudo é monitorado, tudo é controlado. Bem diferente da nossa casa e da nossa rotina. Então quando uma pessoa é hospitalizada, há um grande impacto em sua vida, não só pela doença que ela está enfrentando, mas pelo ambiente hospitalar e seus procedimentos, o que pode causar estresse e estranhamento, com possível consequência na piora do quadro clínico. Em vista a este impacto, os hospitais têm trabalhado na humanização, criando projetos e equipes responsáveis exclusivamente em tornar o ambiente hospitalar mais acolhedor e menos impactante ao paciente e familiar. E é aí que entram os cães...
As crianças esquecem das dores brincando com o Zequinha às quintas-feiras

As crianças esquecem das dores brincando com o Zequinha às quintas-feiras

A relação homem-animal hoje em dia é uma relação de afeto, os animais vivem dentro de casa, são considerados membros da família e participam ativamente da rotina de seus donos. Sendo assim, o animal é uma parte grande da rotina que o paciente sente falta quando está internado. A Terapia Assistida por Animais dentro de hospitais, com o foco de humanização, ajuda a tornar o ambiente hospitalar mais acolhedor, diminui o impacto da hospitalização, resgata lembranças familiares aos pacientes, incentiva o relacionamento entre as pessoas, traz afeto e carinho sem preconceito, ajuda a melhorar o humor, entre outros benefícios. E isso tudo não é mágica não, vou explicar melhor com exemplos do que já vivenciei nestes anos como voluntária.

Já perdi a conta de quantos pacientes acompanhei que se emocionaram ao tocar os cães e contaram como estavam com saudade de seus próprios animais. Recebi agradecimentos de inúmeras mães que relataram que seus filhos estavam chorando muito por estar no hospital e que o primeiro momento em que eles sorriram foi quando estavam brincando com os cães. Vi muitos pacientes se conhecerem e começarem a conversar ao acariciarem um mesmo cão. Ouvi pacientes me contarem, abraçados e recebendo carinho dos cães, que tudo que precisavam era de um abraço, mas que seus familiares ficavam com medo de toques mais afetuosos devido sua condição clínica. Presenciei pacientes virem de outras cidades, mesmo não estando mais em tratamento, para rever os cães que os ajudaram quando estiveram internados. Crianças que tinham dúvidas sobre o procedimento pelo qual iriam passar me perguntavam como era o procedimento enquanto invertiam papéis, se tornando o doutor que ia operar o paciente, no caso o paciente era o cachorro. Crianças entristecidas por terem que fazer repouso devido sua condição clínica, deram gargalhadas jogando a bolinha diversas vezes para o cachorro buscar. Pacientes que não queriam conversar, contaram suas angústias á um cão. Profissionais me contaram que melhoraram o vínculo com o paciente após interagirem livremente enquanto estavam com o cão, conversando sobre assuntos que não a doença. Profissionais que aproveitaram um momento de folga e foram ver os cães para “desestressar” um pouco. As situações são diversas, eu poderia ficar horas escrevendo e me emocionando com todos os momentos especiais que vivenciei com cães dentro de hospitais, momentos únicos que foram muito raros quando trabalhei em hospitais sem o cachorro.

Mel, a pequena Yorkshire Terrier, relaxa e alegra os pacientes durante a sua visita semanal.

Mel, a pequena Yorkshire Terrier, relaxa e alegra os pacientes durante a sua visita semanal.

E tudo isso só é possível quando se realiza um trabalho sério. Como já citei anteriormente, nossos animais passam por um controle rígido de saúde e de comportamento, este controle é realizado por especialistas na área, de forma que estes animais não apresentem nenhum risco á integridade do paciente. Nossos profissionais são capacitados para realizar este trabalho, sempre nos mantemos atualizados sobre as novidades dessa área, que é muito pouco conhecida em nosso país, e estamos em contato e sintonia com a equipe da instituição, já que são eles quem acompanham os pacientes na maior parte do tempo. É em reunião com a equipe do hospital que determinamos o tipo de atendimento que será realizado, o local aonde o atendimento será realizado, os pacientes que poderão participar, a quantidade e o perfil dos cães e voluntários que realizarão os atendimentos.
Este tipo de atendimento em TAA, com foco na humanização, nos é muito solicitado por hospitais, que querem os cães nas enfermarias. Porém, quando nos solicitam um trabalho em ambulatórios, há demanda para outro tipo de atendimento em TAA, aonde os cães auxiliam os pacientes e profissionais a atingirem objetivos específicos do tratamento, como acontece, por exemplo, no trabalho de fisioterapia, que vocês podem ver no vídeo clicando aqui.
As possibilidades e os benefícios são inúmeros, desde que o trabalho seja realizado por profissionais responsáveis e capacitados.

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www.inataa.org.br

Leia a série completa sobre Animais em Hospitais:
Nota da Presidente do INATAA sobre a notícia do Hospital Albert Einstein
Parte 2 - Protocolo de controle de saúde para Cães Terapeutas
Parte 3 - Muito além de um cão (comportamento animal)

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