Animais em Hospitais – parte 2

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Protocolo de controle de saúde para Cães Terapeutas

Por Patricia Maria Pascoal Maykot, Veterinária e diretora de Saúde Animal do INATAA
Quando um animal é selecionado para ser terapeuta, a pessoa que cuida e tem a posse deste animal tem que saber que os cuidados requeridos para este animal são bem mais exigentes, pois animais que frequentam hospitais, asilos entre outros, necessitam de extrema higiene. Por isso temos que estabelecer certos protocolos para que o relacionamento entre o homem e o animal seja da forma mais harmoniosa e saudável possível.
Qualquer patologia que limite o animal terapeuta ou que possa ser prejudicial a outros animais e/ou ao ser humano deve-se afastá-lo temporariamente até que se recupere e retorne suas atividades.

Exigências e cuidados com a saúde de um Cão Terapeuta

Golden Retriever Kailana ganha um abraço da enfermeira após atendimento

Golden Retriever Kailana ganha um abraço de uma das enfermeiras após atendimento

Um cão terapeuta precisa sempre vacinar com vacina CA2PL-PC (popularmente chamada de V8 ou V10), Raiva, Tosse dos Canis e Giardia e devem ser reaplicadas anualmente.
A prevenção é um bom método de evitar as infecções parasitárias, portanto o controle parasitário é auxiliado por uma boa higiene; além de vários produtos comerciais existentes para combater estes parasitas (sempre sob a orientação de um médico veterinário). Além disso, exame coproparasitológico periódico (a cada 4 meses para o cão terapeuta) é um bom instrumento para termos um maior controle e nos certificarmos que nosso cão está livre de endoparasitoses.
Devido à facilidade da pulga de proliferar e transmitir doenças, assim como os carrapatos deve-se mensalmente utilizar produtos comerciais contra esses parasitas. Com isso também evitamos que os lugares visitados pelos cães terapeutas fiquem livres destes parasitas.
O odor proveniente do animal deve ser levado em consideração, porque ninguém quer um animal sujo e fétido ao seu lado. Os odores na pelagem geralmente se originam de lugares como a boca, orelhas, pés e períneo. Essas áreas devem ser checadas e lavadas cuidadosamente. A maioria dos xampus removem os odores típicos que os cães adquirem. Em muitos casos, o odor é uma indicação de doença de pele. É muito importante também, que estes animais tenham uma boa higiene bucal. Limpezas de tártaro podem ser recomendadas para alguns animais.
Animais que estão com infecções nos ouvidos sofrem alterações comportamentais, podendo ficar irritáveis e agressivos com os membros da família como resultado da dor no ouvido. Por este motivo orientamos os proprietários de cães terapeutas que evitem levar seus animais à assistência, retornado apenas após a cura total; pois o assistido pode manipular o ouvido deste animal e, por estar sensível, este pode agredi-lo.
Após a detecção de alguma alteração no pêlo ou na pele do animal, deve-se afastá-lo do convívio de outros animais terapeutas e do contato com os pacientes que estão sendo assistidos por esse animal até que se identifique a doença e o risco que esta pode significar. Deve-se atentar também que além do risco de se transmitir a doença existe o fator estético, pois há pacientes que se recusarão a manipular estes animais por nojo e/ou medo de ficar doente.
Portanto ao menor sinal de alteração deve-se encaminhar o animal ao veterinário, que realizará testes de pesquisa e métodos laboratoriais caso um diagnóstico definitivo não puder ser feito apenas a partir da história do caso e do exame clínico, fornecendo assim uma base lógica para o tratamento terapêutico bem sucedido.

Higiene do Animal

Orientar o proprietário a manter as unhas sempre cortadas e lixadas; manter o cão limpo e bem tratado, para isto seria indicado banho semanal e de preferência próximo à data da visita.
O proprietário ou pessoa que acompanha o animal durante a assistência deve ser orientado a levar lenços umedecidos para realizar a limpeza das patas de seu animal ao entrar e sair do local visitado.
Deve-se também de levar o seu animal para urinar e defecar antes de entrar no prédio aonde será realizado a assistência e caso ocorra por acidente, este é responsável pela limpeza imediata do local. Para isso, o acompanhante tem que carregar consigo sacos para coleta das fezes e papel absorvível e desinfetante para limpeza da urina.
Manter as unhas curtas, a pele dos idosos costuma ser muito mais fina e delicada, por isso é muito importante que as unhas dos animais estejam sempre cortadas ou lixadas para evitar que possam causar danos.

Vantagens da Castração

A castração é recomendada, uma fêmea no cio não deve participar das atividades por uma questão de higiene e para evitar que cause brigas ou distração entre os machos não castrados presentes.
Muitas são as vantagens conseguidas na castração precoce. Os animais submetidos à castração precoce parecem tornar-se mais obedientes, mais tranquilos, dóceis, menos propensos a perambular; parecem também manter o comportamento juvenil (que é muito desejável). São citadas também vantagens relativas à saúde, como, por exemplo, a diminuição do risco de tumores de mama em caninos.
Leia a série completa sobre Animais em Hospitais:
Nota da Presidente do INATAA sobre a notícia do Hospital Albert Einstein
Parte 1 - Terapia Assistida por Animais em Hospitais
Parte 3 - Muito além de um cão (comportamento animal)