Matéria no Bolsa de Mulher

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Cinoterapia

por Carolina Mouta | 26/03/2010

Cães ajudam na reabilitação psíquica e emocional de pessoas com necessidades especiais

Você já ouviu falar em cinoterapia? Nova abordagem terapêutica tem como diferencial o uso de cães como coterapeutas no tratamento físico, psíquico e emocional de pessoas com necessidades especiais. Ajuda a realizar atividades lúdicas que estimulam o equilíbrio, a fala, a expressão de sentimentos, a imaginação e o autoconhecimento com resultados comprovados. Alguém acha que, com simpáticos cachorrinhos por perto, haveria possibilidade de ser diferente? Profissionais das áreas de saúde e educação utilizam esse instrumento como reforçador, estimulador e facilitador da reabilitação e reeducação global do paciente. Fisioterapeutas, psicólogos, psiquiatras, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e pedagogos acreditam na capacidade dos peludinhos despertarem emoções comunicativas no ser humano. "A cinoterapia contribui para a melhoria da qualidade de vida dentro de uma perspectiva interdisciplinar", diz Isabel Barros, psicóloga e psicopedagoga, que utilizou a técnica na APAE da cidade de Sabará, em Minas Gerais. Qual cachorro é a sua cara? Faça o teste O trabalho deve ser em conjunto com um veterinário que entenda do assunto. "A cinoterapia alia a parte de saúde pública à da parte fisiológica e comportamental dos animais, além da interação animal-paciente", orienta o médico veterinário Heverton Gonçalves. A base do tratamento é a estimulação cerebral. "Os próprios pacientes conseguem realizar as atividades", diz o especialista. O diferencial da cinoterapia em relação à equiterapia é o tipo de estímulo dado ao paciente. "O tratamento com cavalos se baseia nos estímulos da movimentação pélvica dos pacientes, com o andar dos cavalos, e no equilíbrio para se manter em cima do animal. Já com os cães tentamos fazer com que as crianças e os idosos realizem os movimentos que haviam sido perdidos", ressalta Heverton.

Atividade X Terapia

Os especialistas ressaltam que é importante saber distinguir a atividade assistida da terapia assistida por animais. A primeira não requer um profissional. Ou seja, o cão pode ir à uma creche ou asilo para que as pessoas possam acarinhá-lo, por exemplo. Não é direcionado a uma pessoa somente e traz benefícios educacionais, recreacionais ou motivacionais a partir do contato com o animal. Já a terapia precisa, necessariamente, ser feita por alguém qualificado. Além disso, o trabalho é personalizado de acordo com os objetivos a serem alcançados. É importante lembrar que a cinoterapia é um tratamento complementar. "O uso dos cães não exclui o tratamento convencional", diz a fisioterapeuta Shirley Gomes, que alerta sobre o tempo para colher os resultados. "Sempre em longo prazo", observa. Portanto, sem pressa! Benefícios Os benefícios da terapia com cães são inúmeros. O método é válido para todas as idades e circunstâncias, mas no caso de idosos os resultados são bastante satisfatórios. Para as crianças, então, nem se fala! "Elas se sentem mais empolgadas a realizar o tratamento, pois têm a noção de estar no comando, já que quem dá a ordem aos animais são elas. Há uma diminuição da dor e aumento da segurança", relata Heverton. De acordo com sua experiência, Isabel Barros enumera bons resultados no atendimento de crianças com transtorno invasivo, síndrome de Down, deficiência mental e disfunção neuromotora. O sucesso do tratamento passa pela sua aplicabilidade e resposta dada pelo paciente. "A cinoterapia favorece a socialização, abre espaço para a convivência em grupo, ajuda na inclusão de crianças com necessidades educativas especiais. Permite trabalhar a emoção, a comunicação, a marcha, a coordenação motora fina e grossa, o equilíbrio dinâmico e estático, a fala, a afetividade, o companheirismo, a atenção, o interesse, a tolerância", explica a psicopedagoga. Mas não são somente os pacientes que saem ganhando, não! Para os cães-terapeutas, isso é um excelente negócio. "Eles precisam gastar energia e, com essa atividade, trabalham a parte de sua socialização e equilíbrio emocional”, conta o veterinário.

Quem são esses coterapeutas

Qualquer cachorro dócil está apto a ser um coterapeuta: até o seu. Inclusive, não precisa nem ter raça definida (pode ser um bom e velho vira-latas). A personalidade do animal conta muito na hora da escolha de seu paciente. Os mais tranquilos podem auxiliar no tratamento de crianças hiperativas e os mais brincalhões ajudam a reverter dificuldades de sociabilização.
O uso de um cão para este trabalho dependerá muito de sua índole e aptidão, por isso, a escolha não pode ser aleatória. "Os cães que participam desse processo são selecionados e recebem todos os cuidados necessários para garantir a segurança do terapeuta e do paciente", esclarece Isabel. A idade do animal também é importante. A melhor faixa é entre um e nove anos pois cães muito jovens são agitados e podem morder para brincar, já cães mais velhos podem se cansar ao término da visita.
Os cachorrinhos passam por treinamento, dependendo da modalidade do tratamento a que se destinam. "O cão de visita só precisa ter um adestramento básico. Eles vão para as instituições fazer visitas onde os pacientes tocam e fazem carinho nos animais. Já os cães de trabalho são selecionados desde a ninhada e preparados no decorrer da sua maturidade para poder auxiliar os pacientes nas atividades. A maioria desses cães trabalham sem guia e sabem resolver situações que se encontram dentro das atividades oferecida aos pacientes", explica Heverton.

Cuidados de higiene

A cinoterapia só é contraindicada em casos de alergia. "Pacientes que apresentam intolerância (alergia) a pelos não devem fazer o tratamento. É recomendável um exame clínico detalhado para acusar possíveis alergias", diz Isabel. Para ajudar a evitá-las, a higiene e saúde do animal são pontos muito importantes. Eles devem estar de banho tomado, unhas cortadas e tosados, se necessário. É imprescindível que sejam vacinados e vermifugados. Não devem ter tártaros, problemas de pele ou otite, o que deixará o cão reativo a um afago na região das orelhas. Esses cuidados são fundamentais para que o encontro fique mais agradável e isento de riscos para a saúde do paciente.
Está mais do que provado que a convivência com os animais tende a proporcionar felicidade. Canalizar esses bons sentimentos para restabelecer a saúde só poderia ser bastante positivo. E o melhor: acessível a todos pois diversas instituições atendem gratuitamente aos pacientes que necessitam da terapia. Informe-se, inclusive, se você quiser compartilhar o seu grande companheiro com outras pessoas, aderindo, assim, a essa causa tão nobre.

Serviço:

www.animaisterapeutas.com.br
http://www.projetomedicao.com.br
http://www.inataa.org.br

Fonte: Bolsa de Mulher – http://www.bolsademulher.com/mundomelhor/cinoterapia-100217-2.html

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