Projeto Melhor Amigo do Refugiado

Talvez você ainda não saiba, mas o Brasil é um dos principais destinos de refugiados de guerra
nas Américas, recebendo principalmente sírios, nigerianos, haitianos e angolanos.

English version

São milhares de adultos, idosos e crianças morando em abrigos da cidade, lutando, diariamente, para se adaptar a uma nova sociedade, a um novo idioma, a uma nova cultura.

Numa situação extrema como essa, toda ajuda é bem-vinda e necessária. Decidimos então conectar a razão de existirdo INATAA a essa triste realidade global, lançando um atendimento pioneiro no mundo, 100% dedicado às necessidades emocionais dos refugiados.

Assista ao filme da campanha.

Com a palavra,
os idealizadores
do projeto.

Cristiane Blanco, Psicóloga
responsável técnica INATAA.

Estávamos todos ansiosos... No grupo de voluntários, havia um misto de ansiedade por realizar algo inovador e alegria pela possibilidade de fazer a diferença na vida de pessoas que sofreram tanto... Apesar de todas as conversas com a equipe da Instituição, das horas estudando artigos sobre os atendimentos a refugiados, cultura, orientação espiritual, etc... Não sabíamos como seríamos recebidos... Esta é a parte complicada de fazer algo inovador... Respiramos fundo e começamos a visita... Inicialmente, todos estavam tímidos... alguns receosos... mas, de repente as crianças quebraram as barreiras (culturais, sociais, emocionais...) e começaram a interagir com os cães e voluntários. Poucos minutos depois, a magia já acontecia! Crianças afagando, escovando, passeando ou brincando com os cães!

O olhar tímido deu lugar a um largo sorriso, chegando a gargalhadas de felicidade! Com os adultos, a aproximação foi gradativa, mais lenta, mas não menos prazerosa. Muitos expressaram o primeiro sorriso ao ver seus filhos felizes interagindo com os cães e, posteriormente criaram coragem para se aproximar e até tirar fotos deste dia tão inusitado para todos. Não precisamos falar a mesma língua, nem mesmo ter as mesmas crenças, o amor e carinho uniu a todos, criando uma atmosfera de paz e alegria. Espero que este momento mostre para o mundo que é possível amar independente de cor, raça, religião ou qualquer outro critério que o ser humano tenha inventado para justificar seus pré-conceitos.

José Roberto Mariano,
gerente da Casa de Passagem
Terra Nova

Aqui na Casa de Passagem Terra Nova a gente sempre tem uma preocupação em desenvolver atividades e procurar inovações que sejam pertinentes no atendimento às necessidades dos nossos usuários. Nosso objetivo principal em tudo o que fazemos é deixar crianças, adultos e famílias sempre muito à vontade... respeitando o espaço e a individualidade de cada um. O atendimento com cães do INATAA teve uma aceitação muito boa, na verdade, surpreendente. A princípio, eu estava pensando que não teríamos participação significativa, porque reunir o grupo todo não é tão simples. Mas para minha surpresa, quarenta e um moradores participaram do encontro com os cachorros; foi melhor do que poderíamos ter imaginado.

Muito do sucesso da iniciativa se deu pelo envolvimento de todos os voluntários do INATAA que conversavam pessoalmente com todos os moradores, fazendo todos se sentirem parte integrante da atividade. No final da visita, as crianças, ainda sob emoção, algumas até chorando, porque não queriam que os cachorros fossem embora, já perguntando quando seria a próxima visita, o que comprova o sucesso do encontro. De maneira geral, eu fiquei muito satisfeito com o envolvimento dos usuários, com a dinâmica e estratégia utilizada pelo grupo do INATAA para romper rapidamente a aquela apreensão inicial. O grupo já foi interagindo... homens, mulheres e crianças; foi muito bom e emocionante. O grupo está ansioso pela continuação.

A primeira fase do projeto Melhor Amigo do Refugiado prevê 6 meses de atendimento e conta com a parceria da Casa de Passagem Terra Nova, um dos principais abrigos de São Paulo. Os atendimentos contam com supervisão de profissionais das mais diversas áreas como pedagogos, psicólogos e claro, nossos cães terapeutas e voluntários.

Estas são as fotos dos
primeiros atendimentos.
Olha só que legal!

“Fazia muito tempo que um sábado não começava com tanta alegria. Mudou o dia das crianças e o nosso também”. - refugiado nigeriano

“Eu sempre tive medo de cães. Para mim, eles deveriam ficar longe, no quintal. No começo da atividade não quis me aproximar por ter medo, mas depois que vi que as crianças brincavam com eles e que passei a mão em um, perdi o medo e gostei de brincar com aquele cão.” - refugiado congolês

“A gente viu um movimento desde cedo, ouviu uns barulhos diferentes... quando chegamos na sala de convivência, vimos os cachorros. Toda a criançada sorrindo. Foi muito especial”. - refugiada síria

“Gostei muito da atividade, um dos cães me lembrou o meu próprio. Na Angola, eu também tinha um cão grande que se chamava Leão e, ainda hoje, quando ligo para meus familiares, peço para "falar" com Leão, que late quando escuta minha voz. Infelizmente, ele não pôde vir comigo e minha família, sinto saudades”. - refugiado angolano

Menos intolerância.
Mais cachorros.

Independente da sua opinião sobre a abertura ou não das fronteiras para os refugiados, o importante mesmo é que todos sejam contra a intolerância e o preconceito e que, assim como os cães, trate os imigrantes que chegaram ao seu país com respeito, amor e humanidade.

Ajude o INATAA a levar a terapia com cães para ainda mais abrigos, hospitais e asilos.