O INATAA

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O INATAA, Instituto Nacional de Ações e Terapias Assistidas por Animais, é uma ong expoente na realização de diversas atividades relacionadas a Educação, Atividade e Terapias Assistidas por Animais, através da colaboração de voluntários e seus cães, voluntários sem cão e profissionais. Atende a diversas instituições como casas asilares e hospitais, nas áreas de psicologia, fisioterapia e fonoaudiologia. Sua equipe multidisciplinar realiza visitas e cursos de formação, visando a divulgação e expansão dos benefícios da interação Homem-Animal.

Doações

Para fazer uma doação:

INATAA
Banco Itaú
Agência: 0772
Conta Corrente: 64003-3
CNPJ: 10.624.316./0001-08

Posts Tagged ‘cães’

PostHeaderIcon Voluntariado INATAA

Posso ser voluntário sem cachorro?

Por Laís Milani, membro da diretoria de Terapia Assistida por Animais do INATAA
Muitas pessoas nos procuram porque acham nosso trabalho bonito e querem ajudar de alguma forma. Porém, algumas dessas pessoas não têm cachorro ou tem um cachorro que não possui perfil para o trabalho que o INATAA desenvolve, daí vem a pergunta: “Posso ser voluntário, mesmo sem cachorro?”
Claro que pode!!

o INATAA prioriza os voluntários sem cão para funções relacionadas à monitoria dos atendimentos

o INATAA prioriza os voluntários sem cão para funções relacionadas à monitoria dos atendimentos

O INATAA também busca voluntários sem cão para o trabalho, e eles são fundamentais nas nossas atividades.
Nas visitas, às vezes percebemos que alguns pacientes que não querem se aproximar dos cães, seja por medo, por não conhecê-los, por não estar se sentindo bem ou por inúmeras outras razões. Assim, temos que respeitar este paciente e não iremos nos aproximar dele com um cão. E é aí que entra o voluntário sem cão! Cabe ao voluntário sem cão realizar a aproximação com este paciente, entender o motivo pelo qual ele quer se manter afastado, explicar nosso trabalho, estabelecer um vínculo com este paciente e tentar introduzir o cão na relação para que este possa se beneficiar desta interação.
E se o assistido continuar não querendo o contato com o cão? Não tem problema! O voluntário sem cão continuará visitando-o normalmente, de forma que este não se sinta excluído da atividade realizada.
Outra situação comum é encontrar pacientes que dividem o mesmo quarto, onde um gosta de cachorro e o outro não. Nesses casos, deve-se respeitar o espaço do paciente, não entrando no quarto com o cão.

qualquer voluntario que quiser ajudar, seja com  ou sem cão, será muito bem vindo

qualquer voluntario que quiser ajudar, seja com ou sem cão, será muito bem vindo

E o paciente que esta lá e gosta de cachorro, vai ficar sem interagir com eles? Não! E é aqui que entra, novamente, o voluntário sem cão, realizando o contato com este paciente, ainda no quarto, e levando-o a outro local para interagir com o cão, de forma a que o cão não invada o espaço do paciente que não quer este contato.
No momento em que o voluntário está conduzindo um cachorro, ele tem que ficar muito atento ao cão e ao assistido, sendo necessário direcionar todo seu foco para esta relação. Enquanto que o voluntário sem cão consegue visualizar o atendimento como um todo, prestando atenção nos voluntários, pacientes e cães, de forma a melhor orientar os voluntários que estão conduzindo seus cães. Sendo assim, o INATAA prioriza os voluntários sem cão para funções relacionadas à monitoria dos atendimentos.
O trabalho com o cão exige tanta atenção do voluntário que está trabalhando que, visando manter a qualidade do nosso trabalho, o INATAA tem como regra que cada voluntário pode conduzir somente um cão por atendimento.
E os voluntários que possuem mais de um cão apto a realizar o trabalho? Não podem levar todos os cães para o atendimento?
Aí, novamente, entram os voluntários sem cão, que podem ser treinados para conduzirem cães de outros voluntários. Lembrando que é necessário que este cão seja treinado para ser conduzido por outro voluntário.
Os atendimentos realizados pelo INATAA chamam muita atenção, porém, para que estes aconteçam é necessária uma estrutura muito sólida e organizada. E este é outro foco de trabalho para um voluntário sem cão. O INATAA possui funções administrativas que são realizadas sem a necessidade do cão!
As possibilidades são muitas! E qualquer voluntario que quiser ajudar, seja com  ou sem cão, será muito bem vindo.
Mais importante que trabalhar com seu cão, é realizar o voluntariado com amor, doação e comprometimento! Para estes voluntários, a porta do INATAA estará sempre aberta!!
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Para aqueles interessados, o INATAA está com inscrições abertas para a próxima Palestra para novos Voluntários, que marca o início do treinamento de uma nova turma de voluntários trabalhando com ou sem cão. Os interessados devem enviar um email até amanhã (dia 03/05, sexta-feira) para voluntarios@inata.org.br

A palestra acontece no domingo, dia 05/05 as 9h

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PostHeaderIcon Animais em Hospitais – parte 3

Muito além de um cão.

Por Katia Aiello, Psicóloga e Adestradora Comportamentalista, membro da diretoria de Comportamento Animal do INATAA
É com enorme satisfação que recebemos a notícia que o hospital Albert Einstein proporciona aos pacientes internados momentos no qual podem receber a visita de seus cães (clique aqui para ler a matéria publicada pela Folha). Há tempos sabemos da importância afetiva que um cão favorece aos seres humanos e podemos ver a satisfação dos pacientes internados no Instituto Dante Pazzanese quando vamos visitá-los.
Embora seja de uma significância infinita o contato entre paciente e animais de estimação, nossa experiência fez com que percebêssemos o quanto equivocado pode se tornar um projeto de levar cães a hospitais, caso não seja tomado os cuidados necessários tanto na saúde quanto no comportamento do cão. Para que se cumpra o papel desejado, é indispensável que o cão seja sociável não podendo de forma alguma apresentar medo, agressividade, dominância. Esse ideal de um cão terapeuta é alcançado através de um treinamento específico para cães de terapia assistida por animais.

Zequinha, o "paciente" do dia, trabalhando com as crianças internadas no Inst. Dante Pazzanese de Cardiologia

Zequinha, o "paciente" do dia, trabalhando com as crianças internadas no Inst. Dante Pazzanese de Cardiologia

O treinamento de um cão terapeuta é dividido em 3 etapas:
  • Socialização: o cão aprende a conviver desde filhote com outros cães, outros animais e pessoas de todas as faixas etárias. Ele passa a freqüentar ambientes comuns ao seres humanos como padarias, shopping, casa de amigos de seu dono, enfim é um cão com uma vida social plena e de cumplicidade com seus “familiares”
  • Dessensibilização: um cão não pode ficar assustado ou violento quando percebe algo diferente ao seu redor. Ele deve estar preparado para situações inusitadas, como por exemplo, as vividas em um hospital (barulho de macas andando pelo corredor, cheiro de produtos de limpeza específicos para ambiente hospitalar, o afago e contato com pessoas estranhas). Para que tenha o comportamento correto nesses ambientes, o cão terapeuta precisa ser dessensibilizado, passando por diversas situações que com o tempo se tornam familiares a ele.
  • Adestramento básico: o mínimo exigido de um cão terapeuta é que ele saiba sentar, ficar, deitar e não puxar a guia ao andar. Esse adestramento é realizado sempre com reforço positivo.
Enfim, ao ter esses cuidados levados em consideração, o cão terapeuta pode entrar e se comportar educadamente em qualquer instituição garantindo com tranqüilidade um convívio harmonioso entre cães e humanos.
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Para saber mais sobre Comportamento Animal e socialização dos cães terapeutas clique aqui
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Leia a série completa sobre Animais em Hospitais:
Nota da Presidente do INATAA sobre a notícia do Hospital Albert Einstein
Parte 1 - Terapia Assistida por Animais em Hospitais
Parte 2 – Protocolo de controle de saúde para Cães Terapeutas

PostHeaderIcon Animais em Hospitais – parte 1

Terapia Assistida por Animais em Hospitais

Por Laís Milani, Psicóloga membro da diretoria de Terapia Assistida por Animais do INATAA

Esta semana a Terapia Assistida por Animais (TAA) está em foco! Isso porque o Hospital Albert Einstein liberou a visita de animais domésticos à seus pacientes.

Milla, uma experiente cadela terapeuta

Milla, uma experiente cadela terapeuta

A matéria publicada ontem pela Folha de São Paulo relata esta experiência, o preparo prévio da equipe, as condições e requisitos para a visita do animal.
Esta matéria contribuirá muito para o crescimento da TAA no Brasil, isto porque um grande obstáculo que encontramos é a falta de informação. Muitas pessoas se apegam na crença de que bichos são sujos, transmitem doenças, e podem causar danos físicos às pessoas, e isto acaba sendo um impedimento para a entrada destes em hospitais. É importante ressaltar que um pré-requisito essencial para qualquer trabalho de TAA é um rígido controle da saúde e comportamento do animal que será utilizado.
A matéria publicada pode ter sido vista por muitos com espanto, mas para nós do INATAA, ver cães em hospitais faz parte de nossa rotina, e que rotina deliciosa!! Vou compartilhar um pouco dessa experiência com vocês:
“O que esses cachorros estão fazendo no hospital?”
“É campanha de vacinação?”
“Eles estão pra doação?”
“Pode entrar cachorro aqui? Vou trazer o meu!!”
“Eles vão brincar com as crianças, né?”
“Pode tirar foto?”
“Pode passar a mão?”
“Eles mordem?”
Essas são algumas das frases que ouvimos todas as vezes quando estamos com cães dentro de  hospitais, e sempre respondemos e explicamos tudo com o maior prazer, pois temos muito orgulho do nosso trabalho. Muitas vezes as pessoas perguntam e se aproximam com receio, achando um absurdo colocarem cães em hospitais, mas depois que entendem o que estamos fazendo ali, saem contando pra todo mundo que conheceram um cão-terapeuta, e voltam pra nos ver sempre que tem oportunidade! Esse reconhecimento não é só gratificante pra quem está realizando o trabalho, mas também é importante para que as pessoas se tornem mais receptivas ao benefício do contato com os animais.
Quem tem um bicho em casa sabe como é relaxante acariciá-lo, a alegria que nos dá ser recebido com festa e a distração proporcionada pela a brincadeira com um cão. Todas essas sensações e sentimentos proporcionados pelos cães, além da companhia, do amor e da aceitação incondicional, proporcionam um enorme bem estar psicológico ao ser humano. Por causa disso, esta interação colabora com a diminuição da pressão arterial, do batimento cardíaco, aumento e diminuição diversos neurotransmissores, resumindo, faz bem psicologicamente e fisiologicamente. Esses benefícios se dão para qualquer pessoa, mesmo que ela não esteja doente, ou institucionalizada!

Trabalho semanal na enfermaria pediátrica do Inst Dante Pazzanese de Cardiologia

Trabalho semanal do INATAA na enfermaria pediátrica do Inst Dante Pazzanese de Cardiologia

Quando pensamos em hospitais, pensamos em ambientes estéreis, o mais limpo possível, onde tudo é monitorado, tudo é controlado. Bem diferente da nossa casa e da nossa rotina. Então quando uma pessoa é hospitalizada, há um grande impacto em sua vida, não só pela doença que ela está enfrentando, mas pelo ambiente hospitalar e seus procedimentos, o que pode causar estresse e estranhamento, com possível consequência na piora do quadro clínico. Em vista a este impacto, os hospitais têm trabalhado na humanização, criando projetos e equipes responsáveis exclusivamente em tornar o ambiente hospitalar mais acolhedor e menos impactante ao paciente e familiar. E é aí que entram os cães…

As crianças esquecem das dores brincando com o Zequinha às quintas-feiras

As crianças esquecem das dores brincando com o Zequinha às quintas-feiras

A relação homem-animal hoje em dia é uma relação de afeto, os animais vivem dentro de casa, são considerados membros da família e participam ativamente da rotina de seus donos. Sendo assim, o animal é uma parte grande da rotina que o paciente sente falta quando está internado. A Terapia Assistida por Animais dentro de hospitais, com o foco de humanização, ajuda a tornar o ambiente hospitalar mais acolhedor, diminui o impacto da hospitalização, resgata lembranças familiares aos pacientes, incentiva o relacionamento entre as pessoas, traz afeto e carinho sem preconceito, ajuda a melhorar o humor, entre outros benefícios. E isso tudo não é mágica não, vou explicar melhor com exemplos do que já vivenciei nestes anos como voluntária.

Já perdi a conta de quantos pacientes acompanhei que se emocionaram ao tocar os cães e contaram como estavam com saudade de seus próprios animais. Recebi agradecimentos de inúmeras mães que relataram que seus filhos estavam chorando muito por estar no hospital e que o primeiro momento em que eles sorriram foi quando estavam brincando com os cães. Vi muitos pacientes se conhecerem e começarem a conversar ao acariciarem um mesmo cão. Ouvi pacientes me contarem, abraçados e recebendo carinho dos cães, que tudo que precisavam era de um abraço, mas que seus familiares ficavam com medo de toques mais afetuosos devido sua condição clínica. Presenciei pacientes virem de outras cidades, mesmo não estando mais em tratamento, para rever os cães que os ajudaram quando estiveram internados. Crianças que tinham dúvidas sobre o procedimento pelo qual iriam passar me perguntavam como era o procedimento enquanto invertiam papéis, se tornando o doutor que ia operar o paciente, no caso o paciente era o cachorro. Crianças entristecidas por terem que fazer repouso devido sua condição clínica, deram gargalhadas jogando a bolinha diversas vezes para o cachorro buscar. Pacientes que não queriam conversar, contaram suas angústias á um cão. Profissionais me contaram que melhoraram o vínculo com o paciente após interagirem livremente enquanto estavam com o cão, conversando sobre assuntos que não a doença. Profissionais que aproveitaram um momento de folga e foram ver os cães para “desestressar” um pouco. As situações são diversas, eu poderia ficar horas escrevendo e me emocionando com todos os momentos especiais que vivenciei com cães dentro de hospitais, momentos únicos que foram muito raros quando trabalhei em hospitais sem o cachorro.

Mel, a pequena Yorkshire Terrier, relaxa e alegra os pacientes durante a sua visita semanal.

Mel, a pequena Yorkshire Terrier, relaxa e alegra os pacientes durante a sua visita semanal.

E tudo isso só é possível quando se realiza um trabalho sério. Como já citei anteriormente, nossos animais passam por um controle rígido de saúde e de comportamento, este controle é realizado por especialistas na área, de forma que estes animais não apresentem nenhum risco á integridade do paciente. Nossos profissionais são capacitados para realizar este trabalho, sempre nos mantemos atualizados sobre as novidades dessa área, que é muito pouco conhecida em nosso país, e estamos em contato e sintonia com a equipe da instituição, já que são eles quem acompanham os pacientes na maior parte do tempo. É em reunião com a equipe do hospital que determinamos o tipo de atendimento que será realizado, o local aonde o atendimento será realizado, os pacientes que poderão participar, a quantidade e o perfil dos cães e voluntários que realizarão os atendimentos.
Este tipo de atendimento em TAA, com foco na humanização, nos é muito solicitado por hospitais, que querem os cães nas enfermarias. Porém, quando nos solicitam um trabalho em ambulatórios, há demanda para outro tipo de atendimento em TAA, aonde os cães auxiliam os pacientes e profissionais a atingirem objetivos específicos do tratamento, como acontece, por exemplo, no trabalho de fisioterapia, que vocês podem ver no vídeo clicando aqui.
As possibilidades e os benefícios são inúmeros, desde que o trabalho seja realizado por profissionais responsáveis e capacitados.

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www.inataa.org.br

Leia a série completa sobre Animais em Hospitais:
Nota da Presidente do INATAA sobre a notícia do Hospital Albert Einstein
Parte 2 – Protocolo de controle de saúde para Cães Terapeutas
Parte 3 – Muito além de um cão (comportamento animal)

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PostHeaderIcon Cães em hospitais, uma realidade possível.

Palavras da presidente do INATAA, Fátima Neves, sobre a ótima notícia que recebemos esta semana em São Paulo.
É sabido que o contato com os animais melhora o estado geral do paciente pelos inúmeros benefícios que a interação homem-animal promove. É sabido que os pacientes hospitalizados sentem muita falta de seus animais de estimação, visto que dos familiares conseguem receber visitas, dos animais não.
Não conseguiam. O Hospital Albert Einstein lançou essa semana um programa de visitação aos pacientes. É louvável a atitude do hospital e acreditamos que tão renomado hospital esteja respeitando todos os cuidados necessários para o sucesso dessa iniciativa.
Os cães terapeutas do INATAA visitam hospitais há 8 anos. Para isso fazemos questão de assegurar o mínimo risco para todas as partes envolvidas. Nossos cães fazem exame parasitológico de fezes a cada 4 meses para evitar qualquer risco de verminose. Nossas cães obedecem a um protocolo rígido de vacinação, com base em grupos mundiais, que assegura que a transmissão de zoonoses partindo do animal não ocorrerá.
Nossos voluntários e profissionais recebem treinamento com relação à higienização de suas mãos e das patas dos animais, para evitar-se o caminho inverso: a transmissão de zoonose do humano para o animal. Além disso precisamos evitar que o cão seja veículo de transmissão das bactérias que vivem em ambientes hospitalares.
Além disso, nossos cães são totalmente socializados e acostumados às particularidades de um hospital: sons, cheiros, roupas, movimentos, aparelhos. Um cãozinho que só fica dentro de casa pode se apavorar num local como esse e sofrer muito. Pode ficar estressado se encontrar com outros cães, que como ele estão visitando seus tutores.

Fátima Neves, Psicóloga e Adestradora Comportamentalista, Presidente do INATAA.

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PostHeaderIcon Dia Mundial do Autismo

A Terapia Assistida por Animais e o Autista

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Por Katia Aiello, Psicóloga e membro da diretoria de Comportamento Animal do INATAA
Com o passar dos anos, o conceito sobre autismo foi mudando e se transformando. Baseado nas minhas experiências, afirmo que o autista possui sim afetividade e pode ser muito carinhoso quando melhor compreendido.

A TAA com os autistas

Acho que o maior mérito do sucesso da TAA com os autistas está na pouca interferência dos profissionais nesse relacionamento no início do tratamento. O profissional é mais um observador, deixando que a aproximação ocorra progressivamente até que se estabeleça a confiança entre autista-cão e principalmente a empatia para que a afetividade aflore. Depois de instituída essa relação, ai sim, o profissional passa a “participar” da terapia. O interessante é que a criança só adquiriu total confiança no terapeuta após criar um vínculo amoroso com o cão e esse vínculo é criado com pouquíssima interferência do profissional.

Milla, Golden Retriever terapeuta

Milla, Golden Retriever terapeuta

Outra grande vantagem são os ótimos resultados nas diversas áreas de atuação. Um exemplo é o trabalho em parceria do psicólogo com o Terapeuta Ocupacional. Atividades como levar o cachorro para passear, escová-lo, alimentá-lo, são muito bem aceitas pelos autistas, inclusive os de baixo funcionamento.
Geralmente seguimos os seguintes processos:
1ª fase: no início faço sessões de terapia com meu próprio cachorro e na casa da criança para que se sinta mais confortável no seu ambiente. Durante as sessões vou avaliando as características da família para definir qual cão é mais adequado a essa estrutura familiar. Avalio disponibilidade da mãe, espaço físico, como a criança brinca/interage com um cão, a disponibilidade emocional de todos os integrantes que moram na casa para conviver com um cão terapeuta.
2ª fase: compra ou adoção do animal (teste comportamental). Esse processo é realizado junto com a criança.
3ª fase: o cão passa a conviver comigo e a ser treinado para se tornar um cão co-terapeuta para esse menino. Nessa fase as sessões de terapia são realizadas com a presença do meu cão e a introdução gradativa do filhote.
4ª fase: interação do cão na terapia sem a presença de outro cão, introdução do cão na família.
5ª fase: continuidade das sessões de terapia, mas já com o cão fazendo parte da família.

Cães adequados

1 – É recomendável um cão de porte grande, tranqüilo, que não estranhe comportamentos diferentes do habitual, que consiga ficar muito tempo na mesma posição, que saiba pegar e soltar a bolinha e saiba andar na guia em diversos ritmos (marcha).
2 – Considero um erro grave dizer que o autista não tem afetividade. Ele não consegue demonstrá-la. O profissional precisa ter muita paciência, pois o tratamento é lento, sendo que em várias sessões pode dar a impressão de não estar progredindo, mas com certeza ele está notando a presença do cão.
3 – O cão deve chegar perto da criança de forma espontânea, isto é, ele deve querer ficar perto sem ser obrigado. Uma dica é oferecer uma bolinha para a criança jogar. Caso ele não queira, jogue você, mas fique bem perto dos dois.
4- Conduza a sessão não só pelas atividades pré-estabelecidas, mas use a intuição e a criatividade.
Seguem algumas definições teóricas fundamentais para as pessoas interessadas no tema, mas que não tem muito conhecimento:

Definição

A expressão “autismo” foi utilizada pela primeira vez por Bleuler em 1911, para designar a perda do contato com a realidade, o que acarretava uma grande dificuldade ou impossibilidade de comunicação.

 o vínculo amoroso com o cão é criado com pouquíssima interferência do profissional

o vínculo amoroso com o cão é criado com pouquíssima interferência do profissional

Kanner, em 1943, usou a mesma expressão para descrever 11 crianças que tinham em comum comportamento bastante original. Sugeriu que se tratava de uma inabilidade inata de estabelecer contato afetivo e interpessoal e que era uma síndrome bastante rara, mas, provavelmente, mais freqüente do que o esperado, pelo pequeno número de casos diagnosticados. Em 1944, Asperger descreveu casos em que havia algumas características semelhantes ao autismo em relação às dificuldades de comunicação social em crianças com inteligência normal. Autismo não é uma doença única, mas sim um distúrbio de desenvolvimento complexo, definido de um ponto de vista comportamental, com etiologias múltiplas e graus variados de severidade. A apresentação fenotípica do autismo pode ser influenciada por fatores associados que não necessariamente sejam parte das características principais que definem esse distúrbio. Um fator muito importante é a habilidade cognitiva.

As manifestações comportamentais que definem o autismo incluem déficits qualitativos na interação social e na comunicação, padrões de comportamento repetitivos e estereotipados e um repertório restrito de interesses e atividades…http://www.scielo.br/pdf/jped/v80n2s0/v80n2Sa10.pdf
MÉTODOS
TEACCH – Tratamento e educação para crianças autistas e com distúrbios correlatos da comunicação. O TEACCH foi desenvolvido nos anos 60 no Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade da Carolina do Norte, Estados Unidos, e atualmente é muito utilizado em várias partes do mundo. O TEACCH foi idealizado e desenvolvido pelo Dr. Eric Schoppler, e atualmente tem como responsável o Dr. Gary Mesibov. O método TEACCH utiliza uma avaliação ao chamada PEP-R (Perfil Psicoeducacional Revisado) para avaliar a crianças levando em conta os seus pontos fortes e suas maiores dificuldades, tornando possível um programa individualizado. O TEACCH se baseia na organização do ambiente físico através de rotinas organizadas em quadros, painéis ou agendas – e sistemas de trabalho, de forma a adaptar o ambiente para tornar mais fácil para a criança compreende-lo, assim como compreender o que se espera dela. Através da organização do ambiente e das tarefas da criança, o TEACCH visa desenvolver a independência da criança de modo que ela necessite do professor para o aprendizado, mas que possa também passar grande parte de seu tempo ocupando-se de forma independente.
ABA – Análise aplicada do comportamento. O tratamento comportamental analítico do autismo visa ensinar a criança habilidades que ela não possui, através da introdução ao destas habilidades por etapas. Cada habilidade e ensinada, em geral, em esquema individual, inicialmente apresentando-a associada a uma indicação ou instrução. Quando necessário é oferecido algum apoio que deverá ser retirado tão logo seja possível, para não tornar a criança dependente dele.
O primeiro ponto importante é tornar o aprendizado agradável para a criança. O segundo ponto é ensinar a criança a identificar os diferentes estímulos. A principal critica ao ABA é também, como no TEACCH, a de supostamente robotizar as crianças. Outra critica a este método é que ele é caro.
PECS – Sistema de comunicação através da troca de figuras. O PECS foi desenvolvido para ajudar crianças e adultos autistas e com outros distúrbios de desenvolvimento a adquirir de comunicação. O sistema é utilizado primeiramente com indivíduos que não se comunicam ou que possuem comunicação, mas a utilizam com baixa eficiência. O PECS visa ajudar a criança a perceber que através da comunicação ela pode conseguir muito mais rapidamente as coisas que deseja, estimulando-se assim a comunicar-se.
Referências:
http://www.caleidoscopio-olhares.org/artigos/Palestra%20Gillberg%2020051010.pdf
http://www.universoautista.com.br/autismo/modules/news/article.php?storyid=399
http://www.usp.br/agen/?p=52266
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=31652&op=all
http://www.ic.unicamp.br/~wainer/cursos/906/trabalhos/autismo.pdf

PostHeaderIcon Artigo

Cães de Serviço X Cães Terapeutas: Qual é a diferença?

O Americans with Disabilities Act (ADA) define cães de serviço como qualquer cão é treinado para prestar assistência à uma pessoa com deficiência. Por exemplo, alguns cães são treinados para puxar cadeiras de rodas, outros são ensinados a alertar para os sons do telefone, temporizadores forno, despertadores, alarmes de fumaça, e até mesmo choro de um bebê. Os cães de serviço não são considerados animais de estimação.

Golden Retriever de assistência e seu dono

Golden Retriever de assistência e seu dono

Há tantos tipos diferentes de cães de assistência que pode ser confuso. Cães-guia, cães para surdos, cães de equilíbrio/apoio, cães de serviço psiquiátricos, cães de sinalizadores de convulsões, cães para alerta à diabéticos – há até mesmo cães que foram treinados para detectar amendoim para pessoas que têm alergias que colocam a vida em risco por causa do amendoim! (Por favor note que esta não é uma lista completa de todos os tipos de cães de assistência). Cada um desses cães são treinados em tarefas específicas para ajudar os seus parceiros.

Os cães de serviço

O que é um cão de serviço?

Segundo a Assistance Dogs International (ADI), entidade norte americana, o cão de serviço é “um cão que trabalha para as pessoas com deficiência. Eles são treinados para executar uma grande variedade de tarefas, incluindo mas não limitado a puxar uma cadeira de rodas, órtese, recuperação de objetos, alertar a uma crise médica e prestar assistência durante uma crise médica. “
Cães de serviço são selecionados de acordo com a sua raça e tamanho, para desempenhar funções específicas. São selecionados desde filhotes e treinados para que possam ser entregues aos seus futuros donos quando estiverem desempenhando perfeitamente suas tarefas.
Eles são cães de trabalho, não animais de estimação, e cada cão deve ser treinado para executar tarefas específicas para o seu parceiro. Sob a ADA, nos Estados Unidos, os cães de serviço têm acesso público, o que significa que podem acompanhar o seu parceiro em qualquer lugar aberto ao público em geral. Isso inclui restaurantes, cinemas, supermercados e outras empresas e entidades sem fins lucrativos. Legalmente, o acesso a locais públicos não pode ser negado a menos que o cão esteja fora de controle.
No Brasil, a lei ainda se limita aos cães-guia de cegos, estes podem frequentar locais públicos junto com os seus donos.
Um detalhe muito importante sobre os cães de serviço é que o seu trabalho requer muita concentração, portanto não se deve acariciar e nem chamar a atenção de um cão de serviço, a não ser que com consentimento e autorização do seu dono. Distrair um cão de serviço durante o seu trabalho pode causar acidentes.

Cães de Terapia

O que é um cão de terapia?

Mel, cadela terapeuta em visita ao asilo.

Mel, cadela terapeuta em visita ao asilo.

Um cão de terapia é um animal que treinado para fornecer carinho e conforto para as pessoas. Cães de terapia, muitas vezes visitam hospitais, asilos e escolas para interagir com as crianças e adultos que ali se encontram. No entanto, os cães de terapia não têm acesso público. Eles devem ser convidados a entrar em um lugar público.

Estes cães são muitas vezes são treinados para tarefas específicas e utilizados em tratamentos para a saúde física e emocional dos humanos. São utilizados em sessões de Fisioterapia por exemplo, onde os exercícios tradicionais são adaptados pelo fisioterapeuta responsável, de forma que o cão participe, incentivando o paciente tornando-se, dessa forma, um catalizador do seu tratamento.
Cães terapeutas trabalham em parceria com o seu dono/condutor, obedecendo seus comandos específicos para cada trabalho.
Ao contrário dos cães de serviço, cães terapeutas podem ser de qualquer tamanho ou raça. Podem ser selecionados depois de adultos, de acordo com as suas características. Um cão carinhoso, que se relaciona bem com outros cães, animais e pessoas, entende comandos básicos e é controlado, em tese, pode ser um cão terapeuta.
Os cães, para se tornarem terapeutas, devem sempre passar por uma avaliação comportamental de um especialista na área e ter um rígido controle de saúde para não oferecer qualquer risco aos pacientes que receberão as suas visitas.
Abaixo um vídeo sobre as sessões de Fisioterapia Assistida por Cães promovidas pelo INATAA com a fisioterapeuta Claudinéa Yamashiro, no Lar Pe Vicente Melillo:


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Fonte: INATAA e Susquehanna Service Dogs Blog
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PostHeaderIcon Feliz Páscoa!

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PostHeaderIcon Estudo – TAA para Crianças com Autismo

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Realizado em parceria inédita entre o Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, o INATAA, a Marinha do Brasil e o Centro Educacional de Integração Paulista, o Projeto Infante estuda os efeitos da Terapia Assistida por Animais para crianças com autismo. Este trabalho foi apresentado no 3rd Canine Science Forum, Barcelona, Espanha, 2012.
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Terapia Assistida por Animais para Crianças com Autismo:
Um Estudo Piloto da Evolução do Relacionamento entre a Criança e o Cão

Monica Baptista Ciari, Marie Odile Monier Chelini, Juliana Rhein Lacerda, Carolina Faria Pires Gama Rocha, Emma Otta
Contato com o autor: monica.ciari@gmail.com
Orientadora: Profa. Dra. Marie Odile M. Chelini
Programa de Pós-graduação: Psicologia Experimental
Nível do trabalho: Mestrado

Introdução:
Um crescente número de evidências sugere que a Terapia Assistida
por Animais é eficaz para o progresso das habilidades sociais em indivíduos com
autismo (Nimer & Lundhal, 2007). Entretanto, ainda não está esclarecida quais
especificidades do comportamento do cão podem ser responsáveis por esses
resultados.
Objetivo: O propósito deste projeto piloto é verificar a viabilidade de se estudar o
estabelecimento do relacionamento entre cão e criança através da codificação de
comportamentos interativos em vídeos focados primariamente na criança.
Método: Nosso trabalho é parte do Projeto Infante, um estudo dos benefícios da
introdução de cães na terapia de crianças com autismo. Crianças com autismo
severo recebem 20 sessões de terapia ocupacional em blocos alternados com e
sem cão. Todas as sessões são registradas em vídeo. Analisamos cinco minutos (do
min. 8 ao 13 da sessão) do segundo e do último encontros de duas díades (D1 =
menina de 13 anos e cadela pastora belga de Mallinois; D2 = menino de 8 anos e
cadela Labrador retriever de 7 anos) escolhidas para representar dois tipos de
interação, ambas com efeitos positivos na interação social com a terapeuta:
enquanto em D1 a menina evita contato com o cão, D2 interage harmoniosamente.
Registramos frequência (f) e duração (d) da direção do focinho (df) e da posição
relativa do cão e demais participantes, bem como a frequência de comportamentos
amigáveis (ca) tais como abanar a cauda, lamber uma parte do corpo do
participante, tocar um participante com o focinho ou a pata, entre outros.
Resultados e Discussão: Como esperado, em D1 a frequência de comportamentos
amigáveis dirigidos à menina diminuiu de 9 para 0, da segunda para a última
sessão, embora tanto a frequência como a duração da direção do focinho (df) em
relação a ela permaneceu similar. Em D2 observamos um aumento tanto na duração
como na frequência de ambas as categorias (df: f1 = 7, f2 = 19, d1 = 2s, d2 = 70s;
ca: f1 = 2, f2 = 5).
Conclusão: Estes resultados apoiam a relevância dos comportamentos
selecionados para a observação da evolução do relacionamento social entre o cão e
a criança com autismo.

Referência:
Nimer,J.; Lundahl, B. 2007. Animal-Assisted Therapy: A Meta-Analysis.
Anthrozoos, 20:225-238.
Palavras-chave: Terapia Assistida por Animais, Comportamento Animal, Autismo
Agências Financiadoras: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior, Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
Agradecimentos: Escola de Educação Especial Paulista, Marinha do Brasil,,
Instituto Nacional de Ações e Terapias Assistidas por Animais, Bayer.
Poster apresentado no 3rd Canine Science Forum, Barcelona, Espanha, 25 a
27/07/2012

Poster apresentado no 3rd Canine em Barcelona

Poster apresentado no 3rd Canine Science Forum, Barcelona, Espanha, 2012

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Leia mais sobre o Projeto Infante e a parceria com o INATAA no
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PostHeaderIcon Inscrições abertas para o Curso de Adestramento de Cães Terapeutas 2013!

O INATAA acaba de abrir as inscrições para o curso de Adestramento de Cães Terapeutas 2013. É um curso bastante interessante para profissionais interessados em trabalhar com cães terapeutas em instituições ou de forma particular e também para voluntários e donos interessados em aprimorar o seu relacionamento e trabalho com o seu cão terapeuta.
Liderado pelas diretoras de comportamento animal do INATAA, Katia Aiello e Carla Bárbaro, o curso também conta com aulas de Fátima Neves e outros professores convidados.
Inscrições e maiores informações através do email cursos@inataa.org.br

PostHeaderIcon Artigos traduzidos

O que é o tempo para um cão? E como funciona a memória dos animais?

Artigo original em inglês: animal.discovery.com

A maioria dos cães nunca se atrasa para uma refeição – eles sabem exatamente onde devem estar, no mesmo horário, todos os dias. Eles também sabem quando esperar o seu dono chegar em casa e, como um relógio, colocar-se pacientemente na porta antecipando sua chegada. Quando se assiste a um comportamento como esse, assumimos que os cães têm uma compreensão sofisticada do tempo. Mas o que é realmente o tempo para um cão?

o cão e o tempo

Dizem que um ano humano é equivalente a cerca de sete anos caninos. Mas o que esta teoria comum nos diz sobre a percepção de tempo para um cão? Na realidade, muito pouco. A ideia de “anos de cachorro” vem da expectativa de vida de cães em relação aos humanos. Portanto, não seria correto aplicar essa ideia ao conceito de percepção do tempo.

Para entender como os cães percebem o tempo, primeiro precisamos entender como os seres humanos percebem o tempo. Indiscutivelmente, cada pessoa experimenta a passagem do tempo de formas diferentes em momentos diferentes. Albert Einstein uma vez explicou o princípio da relatividade, dizendo: “Quando um homem senta-se com uma garota bonita por uma hora, parece um minuto. Mas, deixe-o sentar-se em um fogão quente por um minuto – demora muito mais do que uma hora. Isso é relatividade”.

Mesmo que a experiência do tempo seja relativa para cada indivíduo, todos os seres humanos pensam sobre o tempo de maneira semelhante. Por exemplo, as nossas memórias estão intrinsecamente ligadas à forma como entendemos a passagem do tempo. Nossa capacidade de lembrar de eventos em uma ordem particular desempenha um grande papel na nossa percepção do tempo. Nós também somos capazes de prever as coisas. Embora nem todos afirmem ser videntes, cada um de nós conta com determinados acontecimentos futuros – mesmo coisas simples como saber que o sol vai nascer amanhã. Essas habilidades têm implicações importantes – por exemplo, a memória e a previsão nos permitem ter um senso de continuidade, história pessoal e auto-consciência.

Mas será que os cães e outros animais têm essa mesma habilidade?

Os animais podem aprender e planejar sem um conceito de tempo?

cão

Os seres humanos têm duas habilidades importantes que os ajudam a entender o tempo: somos capazes de lembrar de uma sequência de eventos e de antecipar necessidades futuras. Estudos mostram que os animais podem ter essas habilidades – mas em menor grau.

Cientistas fizeram dois tipos diferentes de testes de memória com animais – com memórias de curto prazo e memórias de longo prazo – para ver como os animais recordam sequências de eventos. Nas análises de memória de curto prazo os animais em teste – pombos e primatas – deveriam lembrar de uma sequencia mostrada a eles bem o suficiente para reproduzi-las e ganharem uma recompensa.

Os animais concluíram muito bem essas tarefas, mas, a memória desaparecia rapidamente. A teoria de um dos cientistas afirma que esses animais provavelmente estavam avançando da memória mais fraca à mais forte, ao invés de realmente aprenderem ou lembrarem da sequência.

Outros pesquisadores descobriram que os pombos e macacos tiveram bom desempenho em testes de memória de longo prazo, em que eles precisavam se lembrar de uma sequência após um período de tempo entre aprender e testar.

Contudo, foi necessário um intenso treinamento para que os animais aprendessem as sequências, o que sugere que essa capacidade não veio naturalmente a eles. A partir destes testes, observa-se que os animais percebem o tempo de forma diferente dos humanos, que têm uma memória relativamente confiável e sofisticada quando se trata de sequência de eventos.

Além disso, os animais não parecem antecipar necessidades futuras, sugerindo aos pesquisadores que eles não têm um conceito de futuro. Por exemplo, quando dada a escolha, pombos e ratos optam por uma pequena recompensa imediata do que por uma recompensa maior no futuro. Em um teste, os pesquisadores apresentaram aos primatas uma escolha entre uma banana e duas bananas. Compreensivelmente, eles escolheram duas bananas de forma consistente. No entanto, como o fornecimento de mais opções, eles começaram a mostrar menos de uma preferência – eles não estavam com fome suficiente naquele momento para comer 10 bananas, por isso, escolheram cinco bananas em metade das escolhas. A partir dessas experiências, um dos cientistas conclui que estes animais procuram satisfazer suas necessidades imediatas, e não planejam o futuro. Isto é muito diferente de seres humanos, que costumam usar a razão e premeditação para antecipar necessidades futuras, como por exemplo embalar as sobras de um almoço para mais tarde ou investir em um plano de aposentadoria.

Mas e quando se trata de esquilos e outros animais que acumulam comida para os meses de inverno iminente? Esse comportamento parece implicar que os animais antecipam necessidades futuras. Mas na verdade, talvez não seja isso. Estudos descobriram que animais não param de acumular, mesmo quando seus suprimentos inexplicavelmente desaparecem. Isto poderia significar que os animais não entendem por que acumulam, o que isso significa para o seu futuro ou até mesmo o que é futuro. Eles simplesmente o fazem por instinto. Os seres humanos, por outro lado, compreendem os seus preparativos e mudam rapidamente de estratégia quando os planos dão errado.

Se os animais estão “parados no tempo”, como sugere um dos pesquisadores, isso pode significar que a compreensão do tempo é única e fundamentalmente humana. Mas é nossa escolha tentar aprender alguma coisa com as despreocupadas perspectivas caninas de “viver o momento”.

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