. Comportamento Animal

Responsável: Psicóloga Comportamental / Adestradora - Kátia Regina Aiello – CRP SP nº. 47006
comportamento@inataa.org.br

Essa área do INATAA tem por objetivo esclarecer questões sobre a diferença entre um cão que não trabalha com assistência e um cão co-terapeuta.
Dar sugestões de como melhorar o relacionamento entre os donos e seus cães co-terapeutas e principalmente sobre a responsabilidade dos donos para com a saúde mental dos seus cães.

Primeiramente, para ser um cão co-terapeuta, não basta apenas leva-lo as instituições, ele precisa ter uma qualidade de vida, ser saudável e não apresentar comportamentos agressivos.

Para que esse cão seja apto cabe ao dono dar essa qualidade de vida. E como fazê-lo?

Através de passeios diários, adestramento sem castigo e contato saudável com humanos e outros cães. Resumindo, o cão precisa ser muito socializado.

Se um cão for sociável, a probabilidade de ser tornar um cão co terapeuta é significativa. Ele só não estará apto caso seu temperamento não se adequa a esse trabalho.

O texto a seguir diz sobre a socialização é uma explicação sucinta sobre esse tema:

Cães Sociabilizados

Pode-se dizer que a grande maioria dos problemas de desajustes comportamentais dos cães está relacionada com a sociabilização.
Mas o que é sociabilização?

É o processo de adaptação de um ser a um grupo social. A convivência em coletividade é inerente a várias espécies de seres, entre eles o cão e o homem.

Seres sociais não conseguem viver sem uma estrutura grupal. No caso dos cães domésticos, eles precisam fazer parte de um grupo para manter sua identidade e segurança. Claro, existem cães de rua que conseguem sobreviver sozinhos. São cães ferais, muito parecidos com lobos solitários.
Então você pode se perguntar: por que meu cão, que vive em grupo, comigo, com a minha família, com a outra cachorra que tenho em casa, com o papagaio, mesmo assim, quando ele sai de casa ou aparece alguma visita, ele vira um terror anti-social?

Acontece que toda família é um grupo social, mas não o único grupo. O cineasta italiano Federico Fellini dizia que a diferença entre comunidade e sociedade é que uma é regida por amor e a outra pelas leis. Como gosto muito dessa definição felliniana, sigo por esse raciocínio poético porém realista.

Para os humanos, a família é a nossa comunidade, é onde encontramos aconchego, segurança e conforto. Esse sentimento também não é diferente para os cães; eles amam e são amados, são afagados, têm seu espaço, sua comida.

A sociedade fica do lado de fora da casa. É a calçada, os carros, as pessoas andando rápido ou devagar, é a bicicleta, o menino no skate, a moto, o cachorro do vizinho com cara de mau, as intermináveis obras na rua... ufa! Mais parece um campo de batalha. Então, que cão vai querer sair do conforto da sua tranqüila comunidade, da sua matilha, para enfrentar a selva de pedra? Somente os cães sociabilizados.

Assim como as crianças, os cães precisam ser ensinados a viver numa sociedade diferente da sua família. Acho até que muitas pessoas percebem essa necessidade, mas esquecem que o tempo do desenvolvimento de um cão é muito mais rápido do que de uma criança.

As fases comportamentais de um cão são semelhantes às de uma criança, mas com ele tudo ocorre num piscar de olhos, seu desenvolvimento se processa muito rápido e, quando percebemos, estamos com um cão adolescente em casa.

A partir dos 20 dias, os cães já começam a se relacionar emocionalmente com seus irmãozinhos de ninhada. O ideal é que ele seja sociabilizado entre seus 21 dias e 6 meses de idade, período que equivale à primeira infância de uma criança (de seu nascimento aos 7 anos de idade).

Nessa fase, o cão deve aprender que no mundo existem os mais diversos tipos de barulho, brincadeiras no parque com bolinha e, principalmente, regras que ele deve aprender a seguir, como não montar em cima de outros cães, obedecer seu dono fora de casa, não latir para estranhos. É essencial que o cão aprenda regras para poder viver socialmente.

A sociabilização é feita através de passeios diários, e mesmo os filhotes que ainda não tomaram todas as vacinas devem ser levados a passear no colo ou no carro. É imprescindível que o cão saia de casa. Também é importante educá-lo desde pequeno para obedecer aos comandos básicos “Senta, Fica, Junto, Aqui”, deixar que ele cheire outros cães e também seja cheirado, permitir que ele o acompanhe a diversos lugares, à padaria, pet shops.

Ensine-o a esperar por você, eduque-o para que ele se mantenha quieto e tranqüilo na entrada de algum estabelecimento, aguardando sua volta, enfim, na medida do possível introduza-o no seu dia-a-dia. Um cão assim sociabilizado, principalmente antes de atingir a maturidade (1 ano), será um animal manso e confiante, despreocupado, que terá prazer em conviver com o mundo externo. Será um cão, por isso mesmo, muito mais feliz.

Kátia Aiello

Adestradoras
Carla Bárbaro Venturelli
Fátima Maria Neves Candido

Voluntários

 



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