As mudanças corporais, previstas no processo de envelhecimento, impactam a auto-imagem feminina e potencializam um sofrer psíquico. A perda da capacidade de reprodução, o cansaço físico, a perda da juventude, a concepção de que o corpo é mediador entre a psique e o mundo, meio pelo qual se reconhece e identifica o sujeito (Jorge, 2005), fazem com que a mulher recuse o envelhecimento, esquecendo que o corpo envelhecido trás as marcas de toda uma vida, de toda uma sabedoria.
O corpo não é apenas um estado de saúde, beleza ou feiúra, mas sim, que pensamos e sentimos através do corpo. Nele carregamos marcas, não só do envelhecimento físico: as rugas, a pele flácida, os ossos frágeis e a perda de tônus muscular. Nele, carregamos também as marcas de toda uma vida psíquica (Bezinelli, 2009).
Ao idoso institucionalizado cabe mais uma dificuldade em relação a vivência corporal saudável do envelhecimento: a perda da privacidade, independência, afastamento da família, falta dos amigos e da própria casa. A vida dos idosos institucionalizados está associada as regras do “lar”. A institucionalização faz com que o idoso não se sinta útil, capaz de grandes realizações, capaz de desempenhar um papel perante a sociedade como membro de uma família, amigo, trabalhador, levando a perda do propósito de vida, sobrando apenas o papel de idoso debilitado. Eles apresentam sentimentos de abandono, dificuldade em lidar com a sexualidade e a proximidade da morte, o que favorece a “mortificação do eu” e a ausência de contato com o mundo externo, sendo assim, é necessário manter a percepção pessoal dos idosos institucionalizados, através da sua história, sentimento de utilidade e realização.
Como meio de resgatar a identidade, promover a interação e socialização entre os idosos, evitar ou amenizar o surgimento de depressões e outras doenças, apaziguar o declínio físico e cognitivo, são introduzidos atividades e lazeres dentro da instituição.
A Terapia Assistida por Animais (TAA) tem como propósito a introdução do animal junto a um individuo ou um grupo com finalidades terapêuticas. Inúmeras são as modalidades de Terapia Assistida. Os animais sozinhos já proporcionam um efeito terapêutico por si só, aumentam a socialização dos indivíduos, diminuem a incidência de depressão, motivam seus donos à prática de exercícios, facilitam a terapia e integram uma rede social para o apoio dos pacientes. (zarebski et al., 2000).
O toque e o contato corporal com o animal estimula o idoso sensorial e afetivamente, uma vez que, segundo Petho Sandor (1982), a sensibilidade cutânea é provedora de vivências afetivas através da estimulação deste contato.
É possível notar que, através da Terapia Assistida por Animais, vinculadas a atividades físicas e de percepção corporal, a idosa institucionalizada passa a ter uma ampliação de sua própria percepção corporal. Seus corpos passam a ter maior definição e contorno, o que possibilita maior capacidade de equilíbrio e coordenação. Alem disto, ao praticar a atividade física com o animal, a idosa sente-se motivada e a prática passa a ter uma conotação lúdica (Ana Luisa Penteado, 2008).
Ana Luisa C. A. Penteado
Bibliografia:
BEZINELLI, J.: “As etapas da vida humana”. Excertos Jung, 2009.
JORGE, M.M.: “Perdas e Ganhos do Envelhecimento da Mulher”. Psicologia
em Revista, junho, v.01 – n.17, Belo Horizonte, 2005.
PENTEADO, A.L.C.A.: “A influencia da Terapia Assistida por Animais na percepção corporal de idosas institucionalizadas”. Monografia apresentada para titulo de especialista no curso “Jung e corpo: formação em psicologia analítica e técnicas corporais” do Instituto Sedes Sapientiae, 2008.
SANDOR, P. “Técnicas de relaxamento”. 1982, editora Vetor.
ZAREBSKI, G; CABROL, D; CARLOS, C.: “Implementación de terapia
asistida por animales con ancianos”. Disponível em: http://www.pasteur.secyt.gov.ar/i_proyecto.html.
Acesso em: 1 abril. 2003.
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