

A primeira comunicação relativa aos benefícios da interação prazerosa com cães sobre a capacidade de comunicação social de crianças autistas foi feita em 1961. Desde então muitos psicólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos têm associado cachorros a sua prática terapêutica e os relatos de sucesso se multiplicaram. A maioria da informação disponível é, no entanto qualitativa ou anedótica e ainda falta uma clara demonstração por estudos científicos criteriosos dos benefícios da TAA para indivíduos autistas. A necessidade de fundamentação científica rigorosa do uso da TAA é grande e urgente, desafiando os profissionais e pesquisadores. Uma equipe multidisciplinar de psicólogos, terapeutas ocupacionais, biólogos e veterinários está desenvolvendo, com a participação do INATAA, um projeto que tem como finalidade investigar quão benéfica é a participação de um cão em sessões de terapia de uma criança autista. Parceria inédita entre o Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, o INATAA, a Marinha do Brasil e o Centro Educacional de Integração Paulista (de São Bernardo do Campo, que atende crianças e jovens com autismo), o Projeto Infante (assim nomeado em homenagem ao primeiro cão escolhido para participar) envolve crianças com autismo severo, sua terapeuta ocupacional assistida por cães co-terapeutas e seus condutores, voluntários do INATAA. Coordenado pela Profa Dra Emma Otta e a pós-doutorando Marie Odile Monier Chelini, ambas do Departamento de Psicologia Experimental do Instituto de Psicologia da USP, o projeto visa verificar as seguintes hipóteses: 1) a participação de um cão numa sessão terapêutica aumenta a motivação da criança a se engajar nas atividades propostas e a tomar iniciativas de atividades, 2) ela facilita as ações comunicativas e diminui a aversão ao contato visual do autista e 3) torna a sessão terapêutica menos estressante para os envolvidos. O comportamento de todos os participantes de cada sessão de terapia, paciente, terapeuta, mas também do cão e seu condutor, é analisado pela equipe de pesquisadores. Medidas hormonais, especialmente de cortisol, o hormônio do stress complementam os dados comportamentais.
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Monica, voluntária do INATAA e Zé seu border-collie participam do Projeto Infante.png)
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