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Projeto protegerá cães abandonados da Ucrânia, que continuam sendo massacrados

Quando, em 6 de julho de 2012, as luzes do campeonato europeu se apagaram em Kiev, capital da Ucrânia, a violência inacreditável cometida contra cães abandonados no ex-país soviético não apareceu mais no noticiário. Mas Andrea Cisternino, fotógrafo e ex-delegado da Organização Internacional de Proteção Animal (OIPA) na Ucrânia, vive em Kiev e continua a presenciar o massacre de cães. E se antes ele se limitava a contar o caso ao mundo por meio de reportagens publicadas em seu site (iononpossoparlare.com) e no livro “Randagi, storie di uomini e animali” [Abandonados: histórias de homens e animais], agora é chegada a hora de uma ação direta, com o projeto de um espaço seguro, onde os animais poderão viver em paz, longe de tiros, abusos e venenos.

Veja a entrevista publicada no jornal italiano Corriere della Sera com Cisternino:
Que projeto para os cães abandonados da Ucrânia você desenvolveu nestes últimos meses, depois do fim da Eurocopa?

Decidi fundar uma associação que se chamará International Animal Protection League. Estou montando também uma estrutura única no mundo, não um abrigo com boxes, mas um enorme terreno cercado e protegido para onde transferirei os cães sobreviventes, que estarão castrados, cuidados por voluntários, e assim poderão viver com segurança. O terreno, que tem 700m², foi doado. Ele será dividido em amplas seções para cada matilha, mas eles poderão viver soltos como na natureza. Os voluntários poderão cuidar deles na mais absoluta segurança. Haverá ainda uma clínica veterinária com ambulância, gatil, uma casa onde os voluntários poderão dormir nas noites de inverno, quando a temperatura cai a -35º. Do lado de fora colocaremos câmeras de segurança, doadas por uma associação alemã.

Como mudou, se é que mudou, a situação dos cães abandonados na Ucrânia após o término do campeonato de futebol?

Para os cachorros de rua não mudou nada. O que acontece é que agora eles são em menor número, pois o massacre perpetrado pelos “caçadores de cães”, e também de gatos, começou em 2010 e fez milhares de vítimas. Até hoje continua a pleno ritmo. O que mudou foi o comportamento dos defensores animais estrangeiros: não há mais protestos ou manifestações, todos sumiram. Depois do barulho midiático, os cães ucranianos foram esquecidos e voltaram a morrer em silêncio. Eu já esperava por isso e me assustava muito o “pós Euro 2012”. Sabiam disso também os caçadores de cães que escreveram, ainda em 2011, em um site: “depois que terminar o campeonato de futebol, nós iremos avante e não sobrará um só cachorro de rua na Ucrânia”.

Em Kiev existem abrigos particulares eficientes para estes animais? E o que acontece, por outro lado, nos canis públicos?

Na capital existe apenas um canil público, onde os animais capturados das ruas são mortos após três dias de permanência. Há ainda algumas estruturas particulares, eu conheço três, mas infelizmente elas não têm uma reputação muito boa. A melhor, para mim, é a Sirius.

Tem alguém que castre estes animais? Se sim, não seria um ato generoso mas inútil, já que depois os animais voltam para as ruas e são mortos?

Quem esteriliza são as associações ETN, alemã, e a Fier Pfoten, austríaca. Eles investiram muito dinheiro, mas eu documentei que mesmo eles sacrificam muitos animais castrados. Talvez, com este montante investido, teria sido melhor construir um abrigo.

Você descreveu muitas vezes os voluntários ucranianos como sendo muito combativos e determinados. Onde nasce esta cultura zoofílica em um país que considera a vida de um animal menos que nada?

Os voluntários, quase todas mulheres, colocam a própria vida em jogo para ajudar os animais abandonados e muitas vezes estas pessoas são agredidas tão brutalmente que acabam indo parar no hospital.
Aconteceram ainda casos de tentativa de esfaqueamento. Eu denunciei esta vergonha ao vice-ministro da Ecologia e Ambiente, Igor Vildman, durante o nosso encontro e ele não sabia da existência destes voluntários.

Os caçadores de cães são cidadãos comuns ou entre eles existem contratados do Estado? Ainda está online o site deles? O que os motiva, segundo você?

São cidadãos comuns motivados pelo mais puro ódio contra os cães. Eles têm um site que se chama vredy.org, onde publicam mapas para encontrar as matilhas a serem exterminadas ou receitas para produzir veneno. Mesmo assim, uma lei de 2006 proíbe o abate de animais abandonados, mas ela nunca foi posta em prática porque prender as pessoas não interessa nem aos políticos nem à polícia. Apenas um caçador de 19 anos e seu comparsa foram processados e condenados a quatro anos de prisão por terem torturado e matado mais de cem cães. Mas isso só aconteceu porque eles jogaram na internet um vídeo e as fotos do que haviam feito. De qualquer forma, os caçadores de cachorros são fortes e fazem sólidos acordos com o governo. Alguns deles são até convidados a ir a canais de televisão contar como envenenam cães e gatos. Eles mostram um documento do Ministério dos Interiores que os autoriza a matar. Agora eles estão procurando aprovar uma lei proposta pelo primeiro-ministro Nicolay Azarov que concede a autorização para sacrificar animais abandonados a tiros se eles estão doentes ou trazem riscos. Será dado inclusive porte de arma gratuito a quem quiser uma para este fim.

Mas quem controla os cães que trazem risco ou estão doentes? Você teve contato com expoentes políticos ucranianos?

No último mês de julho eu me encontrei com o vice-ministro Vildman e ele aceitou o meu projeto de por em contato os voluntários com políticos do governo. Mais recentemente, em 6 de setembro, conheci o presidente ucraniano Leonid Kravciuk, que me disse que os políticos do país não têm humanidade e que é preciso parar com os caçadores de cães.

Texto reproduzido do site da Anda (Agência de Notícias de Direitos Animais) e escrito por Natalia Cesana – link: http://www.anda.jor.br/07/01/2013/projeto-protegera-caes-abandonados-da-ucrania-que-continuam-sendo-massacrados. Pelo símbolo do Creative Commons inserido no site, a matéria permite reprodução desde que com os devidos créditos e para uso não comercial.

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