Do Colo para a Lavanderia: Pequenos Cães de Serviço

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Do Colo para a Lavanderia: Pequenos Cães de Serviço
Originalmente publicado na revista Interactions, vol. 15, No. 33, 1997, pp. 14-15
"Olha mamãe!" a menina gritou, vendo o meu cão de serviço, um Papillon de 9 libras, pegar as chaves do carro que eu tinha deixado cair. "Esse cãozinho quer dirigir o carro!"
Dirigir um carro é uma das poucas coisas que o meu cão de serviço Peek não pode fazer por mim. No entanto, as tarefas que ele executa para mim a cada dia compensam mais a sua incapacidade de ser meu motorista. Sou uma pessoa com deficiência, que usa uma cadeira de rodas como pernas, e consigo me manter independente e auto-suficiente, porque Peek lida com tarefas que são difíceis ou dolorosas para eu executar.
A cada manhã Peek ouve o toque do despertador, e então aperta o botão snooze com sua pata para mais 5 minutos de sono. Após despertar, ele me ajuda a puxar o pijama, depois entrega-me para que eu o dobre e guarde.
Quando eu já estou vestida Peek sabe que é hora de arrumar a cama, e salta na posição do outro lado do colchão, esperando a deixa para puxar os lençóis. Segurando o lençol entre os dentes ele puxa para cima em direção à cabeça da cama e, em seguida, repete a tarefa com o edredom. “Almofadas", eu sussurro, e Peek as puxa para o lugar correto. Em seguida olha para mim aguardando pelo próximo comando. Eu sonho com formas de ensiná-lo a servir-me um copo de café, mas até agora as técnicas de treinamento não foram suficientes.
Quanto o café da manhã está acabado Peek me ajuda com as tarefas domésticas, me seguindo de sala em sala recolhendo qualquer objeto que esteja fora do seu lugar. Aponto para o telefone sem fio e ele o busca e coloca-o no gancho. Os controles de TV são depositadas sobre a mesa. Em seguida, relutante, Peek guarda todos os seus brinquedos em sua caixa de brinquedos, e me acompanha para a cozinha.
Eu aponto para a parte inferior do armário e digo"Abra". Peek puxa a correia de couro amarrada no puxador e aguarda até que eu jogue o lixo na lixeira embaixo da pia. Depois fecha a porta com um golpe de sua pata.
Eu fico tonta quando me curvo para baixo e, por isso, em dias de lavar roupas o trabalho Peek é puxá-las da secadora e colocá-las no no cesto para mim, enquanto estou sentada na minha cadeira de rodas dobrando-as. E embora ele prefira dormir na pilha de roupas sujas, ele me ajuda trazendo a próxima carga a ser lavada – uma peça de cada vez.
Quando vamos à rua, Peek pula no meu colo e aperta o botão para deficientes, que abre a porta do apartamento para mim. Vamos até o elevador onde ele novamente pressiona o botão, desta vez com o focinho, e lá vamos nós.
O público está acostumado a ver cães de raças grandes fazendo o trabalho de cão de serviço, mas um cão de raça Toy executando estas tarefas sempre levanta as sobrancelhas das pessoas que nos observam. Comentários como "Oh, ele é tão fofinho!" rapidamente se transformam em "Oh, ele é tão útil!", quando vêem um cão tão pequeno realizando muitas das tarefas que um cão de serviço de raça grande pode fazer.
A maioria dos programas de treinamento de cães de serviço ignora as capacidades surpreendentes de cães de trabalho de raças Toy. Eles preferem os cães como Golden Retrievers, que tem maior tradição e histórico, até mesmo de temperamento, e cujo tamanho e força os tornam facilmente adaptáveis para pessoas com grande variedade de deficiências. E é verdade que os cães grandes são necessários para aqueles que necessitam de assistência para puxar cadeiras de rodas, abrir
portas pesadas, ou auxiliar a pessoa a entrar e sair de uma banheira, por exemplo. Mas nem todas as pessoas com deficiência exigem esse nível de assistência. O que muitas pessoas com mobilidade reduzida precisam é, principalmente, de um cão que execute tarefas de “buscar e trazer”, e um cão pequeno é uma opção certamente viável para esse tipo de trabalho.
Para aqueles que vivem em apartamentos ou espaços reduzidos, um cão de serviço de pequeno porte pode ser ideal. Viajar de carro ou de avião é certamente mais fácil com um cão menor. Em restaurantes, cabem facilmente em uma cadeira ou mesa, e de forma mais discreta do que seus colegas caninos maiores. A limpeza e higiene destes cães também é muito mais fácil, e a quantidade de alimento consumido é consideravelmente menor.
Raças Toy têm muito a oferecer como cães de serviço. Mas será preciso o apoio de pessoas que acreditem neles para espalhar a palavra e anunciar o seu sucesso para quem já trabalha na área, antes de serem levados a sério. Aguardo o dia em que, durante um passeio em um shopping center, ouvirei comentários como "Ah, que bom parceiro de trabalho que você tem!", em vez de "Oh, que cãozinho fofo!"
Isso pode acontecer.
Artigo publicado originalmente na revista Interactions, vol. 15, No. 33, 1997, pp. 14-15
Disponível para download no site da Delta Society (EUA): www.deltasociety.org
Tradução: Laís Aranha

Este texto é a visão de uma pessoa portadora de deficiência física sobre o convívio com o seu pequeno Cão de Serviço, Peek. Foi originalmente publicado na revista Interactions, vol. 15, No. 33, 1997, pp. 14-15

"Olha mamãe!" a menina gritou, vendo o meu cão de serviço, um Papillon de 9 libras, pegar as chaves do carro que eu tinha deixado cair. "Esse cãozinho quer dirigir o carro!"

Cães de raças Toy podem ser muito mais do que fofinhos. Foto: www.hearingdogs.org.uk

Cães de raças Toy podem ser muito mais do que fofinhos. Foto: www.hearingdogs.org.uk

Dirigir um carro é uma das poucas coisas que o meu cão de serviço Peek não pode fazer por mim. No entanto, as tarefas que ele executa para mim a cada dia compensam mais a sua incapacidade de ser meu motorista. Sou uma pessoa com deficiência, que usa uma cadeira de rodas como pernas, e consigo me manter independente e auto-suficiente, porque Peek lida com tarefas que são difíceis ou dolorosas para eu executar.
A cada manhã Peek ouve o toque do despertador, e então aperta o botão snooze com sua pata para mais 5 minutos de sono. Após despertar, ele me ajuda a puxar o pijama, depois entrega-me para que eu o dobre e guarde.
Quando eu já estou vestida Peek sabe que é hora de arrumar a cama, e salta na posição do outro lado do colchão, esperando a deixa para puxar os lençóis. Segurando o lençol entre os dentes ele puxa para cima em direção à cabeça da cama e, em seguida, repete a tarefa com o edredom. “Almofadas", eu sussurro, e Peek as puxa para o lugar correto. Em seguida olha para mim aguardando pelo próximo comando. Eu sonho com formas de ensiná-lo a servir-me um copo de café, mas até agora as técnicas de treinamento não foram suficientes.
Quanto o café da manhã está acabado Peek me ajuda com as tarefas domésticas, me seguindo de sala em sala recolhendo qualquer objeto que esteja fora do seu lugar. Aponto para o telefone sem fio e ele o busca e coloca-o no gancho. Os controles de TV são depositadas sobre a mesa. Em seguida, relutante, Peek guarda todos os seus brinquedos em sua caixa de brinquedos, e me acompanha para a cozinha.
Eu aponto para a parte inferior do armário e digo"Abra". Peek puxa a correia de couro amarrada no puxador e aguarda até que eu jogue o lixo na lixeira embaixo da pia. Depois fecha a porta com um golpe de sua pata.

Chica, Teckel Miniatura, trabalhando durante visita ao asilo. Ela faz parte dos "pequenos terapeutas" do INATAA

Chica, Teckel Miniatura, trabalhando durante visita ao asilo. Ela faz parte dos "pequenos terapeutas" do INATAA

Eu fico tonta quando me curvo para baixo e, por isso, em dias de lavar roupas o trabalho Peek é puxá-las da secadora e colocá-las no no cesto para mim, enquanto estou sentada na minha cadeira de rodas dobrando-as. E embora ele prefira dormir na pilha de roupas sujas, ele me ajuda trazendo a próxima carga a ser lavada – uma peça de cada vez.
Quando vamos à rua, Peek pula no meu colo e aperta o botão para deficientes, que abre a porta do apartamento para mim. Vamos até o elevador onde ele novamente pressiona o botão, desta vez com o focinho, e lá vamos nós.
O público está acostumado a ver cães de raças grandes fazendo o trabalho de cão de serviço, mas um cão de raça Toy executando estas tarefas sempre levanta as sobrancelhas das pessoas que nos observam. Comentários como "Oh, ele é tão fofinho!" rapidamente se transformam em "Oh, ele é tão útil!", quando vêem um cão tão pequeno realizando muitas das tarefas que um cão de serviço de raça grande pode fazer.
A maioria dos programas de treinamento de cães de serviço ignora as capacidades surpreendentes de cães de trabalho de raças Toy. Eles preferem os cães como Golden Retrievers, que tem maior tradição e histórico, até mesmo de temperamento, e cujo tamanho e força os tornam facilmente adaptáveis para pessoas com grande variedade de deficiências. E é verdade que os cães grandes são necessários para aqueles que necessitam de assistência para puxar cadeiras de rodas, abrir
portas pesadas, ou auxiliar a pessoa a entrar e sair de uma banheira, por exemplo. Mas nem todas as pessoas com deficiência exigem esse nível de assistência. O que muitas pessoas com mobilidade reduzida precisam é, principalmente, de um cão que execute tarefas de “buscar e trazer”, e um cão pequeno é uma opção certamente viável para esse tipo de trabalho.

Freddy, Poodle Toy, tem o tamanho ideal para alguns dos exercícios de Terapia Assistida por Animais

Freddy, Poodle Toy, tem o tamanho ideal para alguns dos exercícios de Terapia Assistida por Animais

Para aqueles que vivem em apartamentos ou espaços reduzidos, um cão de serviço de pequeno porte pode ser ideal. Viajar de carro ou de avião é certamente mais fácil com um cão menor. Em restaurantes, cabem facilmente em uma cadeira ou mesa, e de forma mais discreta do que seus colegas caninos maiores. A limpeza e higiene destes cães também é muito mais fácil, e a quantidade de alimento consumido é consideravelmente menor.
Raças Toy têm muito a oferecer como cães de serviço. Mas será preciso o apoio de pessoas que acreditem neles para espalhar a palavra e anunciar o seu sucesso para quem já trabalha na área, antes de serem levados a sério. Aguardo o dia em que, durante um passeio em um shopping center, ouvirei comentários como "Ah, que bom parceiro de trabalho que você tem!", em vez de "Oh, que cãozinho fofo!"
Isso pode acontecer.

Ruby, Pappillon com Bichon, mostrando como um pequeno cão é capaz de ajudar

Artigo publicado originalmente na revista Interactions, vol. 15, No. 33, 1997, pp. 14-15

Disponível para download no site da Delta Society (EUA): www.deltasociety.org

Tradução: Laís Aranha - INATAA

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